Tuesday, November 3, 2009

AAC - 122 Anos

122 anos de História! Parabéns Associação Académica de Coimbra (AAC)!

Wednesday, October 28, 2009

Novo Governo, Mesmos Governantes (ESuperior)

A revelação da continuidade do elenco governativo na área do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia é surpreendente. Não que o trabalho efectuado, na óptica do Governo e da opinião pública seja mau, mas porque ambos tinham manifestado mais ou menos publicamente que não era sua ambição continuar. Então porque esta permanência?

Em primeiro lugar, a reforma imensa e intensa que foi feita na Ciência vai a meio. A internacionalização da ciência e investigação científica em Portugal é uma das traves-mestra do Partido Socialista e do Governo. O trabalho que tem vindo a ser efectuado não está concluído e poder-se-á mesmo falar num processo a meio caminho:

1. Os acordos internacionais estabelecidos com o MIT, CMU, Austin, Harvard e outras prestigiadas instituições de referência estão a prosseguir e com forte investimento público;

2. O aumento do investimento público em ciência sem paralelo no Portugal democrático ainda não tem o retorno esperado e precisa de tempo para ver os seus resultados florescerem;

3. A própria mudança na organização da Ciência (laboratórios associados, acordos inter-universidades, etc) ainda está fresca e a necessitar de consolidação.

Será pois, na minha opinião, bem mais pela Ciência e Tecnologia que se justifica a manutenção do Ministro e Secretário de Estado. No Ensino Superior as reformas foram feitas e o caminho será mantido com firmeza e coerência mas sabendo que deixou de haver maioria absoluta.

Por certo, propinas não aumentarão mas o financiamento público dificilmente aumentará o seu valor. A avaliação fará o seu caminho iniciando um processo que poderá ser controverso e polémico depois desta primeira fase “simplificada”. Quanto a Bolonha está hoje mais que nunca nas mãos das Instituições (ainda que mal e não respeitando muitas vezes o disposto nos sucessivos acordos e boas práticas internacionais).

Das poucas questões a puderem ser colocadas em cima da mesa está a racionalização da rede de Ensino Superior. Apesar disso, esta “luta” a ser aberta pelo executivo será muito mais política e partidária que as restantes. Imagine-se a repercussão do fecho ou esvaziamento de uma ou mais Instituições de Ensino Superior ao nível do poder local dentro do PS e fora dele? Certamente que esta necessária reforma será de execução bem mais difícil que as restantes porque o poder oculto das máquinas tem bem mais força que 2 ou 3 ou 5 mil estudantes na rua.

Por falar nisso, e concluindo, os estudantes querem voltar à rua. Ao movimento associativo exige-se que olhe para si, cure as suas feridas e se organize como o século XXI impõe. As AAEE’s não são capazes de garantir hoje, sequer, os mais elementares direitos dos estudantes nos regulamentos pedagógicos, acessos a segundos ciclos, orientações de mestrados integrados, inserção nas profissões, etc…. Mais que lutar por uma Bolonha querida e não temida pela maioria, mais que reclamar mais financiamento numa luta que é primeiramente das Instituições (reitores e presidentes do politécnico) devem as AAEE’s olhar para si e reflectir. Rua sim mas quando esse for um sentimento das bases e não da cúpula muitas das vezes com agendas e timings pouco claros.

P.S. – forte abraço a todos os co-autores desta tertúlia do século XXI e que possibilita que de qualquer parte do Mundo se troquem opiniões e se mantenha o contacto entre todos nós.

Tuesday, October 13, 2009

Rescaldo Autárquico

O PSD elegeu mais presidentes de Câmara que o PS mas perdeu as autárquicas.
.
Porquê?


- Tem menos votos que o PS;

- Tem menos mandatos que o PS;

- Se continua à frente em número de presidências é porque ganhou mais câmaras pequenas;

- O PS ganha as câmaras por margens de vitória em média maiores do que o PSD;

- O PS ganha câmaras maiores, logo com mais vereadores;

- O PS ganhou com maioria absoluta a capital Lisboa;

- O PS ganhou importantes capitais de distrito: Lisboa, Braga, Leiria, Évora, Viana do Castelo, Guarda, Beja;

- O PS ganhou muitas cidades com relevância politica nacional: Matosinhos, Figueira da Foz, Marinha Grande, etc...

- De 05 para 09 o PSD perde 19 câmaras enquanto que o PS ganha 20;

- De 05 para 09 o PSD perde 36 mandatos, o PS ganha 69.

Monday, October 5, 2009

Em alguns casos a tradição já não é o que era

Aparentemente por causa das autárquicas, este ano o PR decidiu faltar ao tradicional discurso da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, onde foi proclamada a República, e fez o seu discurso do Palácio de Belém. É certo que o discurso da varanda é apenas um simbolo e/ou tradição, e nem sequer assim tão longa, mas interrompe-la por estarmos em campanha não é o melhor dos argumentos. Vale o que vale.

Friday, October 2, 2009

No caminho das autárquicas...

Após um mês de jejum blogosférico na "Alta Universitária", regresso (i) contente com a vitória socialista nas eleições legislativas (ii) preocupado com a previsivel instabilidade governativa (iii) entretido com a (preocupante) guerrilha entre Belém e São Bento (iv) deveras curioso quanto aos próximos meses da política nacional.
Regresso ainda partilhando convosco um sentimento crescente no Distrito de Viseu: o Timo arrisca-se a ganhar Penedono...

Tuesday, September 29, 2009

Parece-me evidente... v.2.0

.
Tenho por evidente que o que o país precisava e merecia saber não foi esclarecido pelo Presidente da República. O país precisa é de estabilidade. Assim não.
.

Reflexão Eleitoral

As eleições de dia 27 de Setembro marcam uma mudança em Portugal. Uma mudança não na governação mas na correlação de forças entre as estruturas partidárias com assento parlamentar. Como habitualmente, todas (ou quase) cantaram vitória. Domingo apenas perdeu o PSD mas mais que isso há derrotados e semi-derrotados, há grandes vencedores e alguns que apenas venceram sem convencer. Injusto será de qualquer das maneiras dizer que o PS perdeu ou que apenas venceu sofrivelmente. Tal é mentira.

Contudo, não deixemos a reflexão ser enviesada pela constatação inegável da vitória Socialista. Creio que aí podemos dividir-nos em dois grupos de pensamento:

1. os que tinham a vitória por certa e dessa forma vêm no resultado final um “score” aquém do que queriam pois, eventualmente, queriam um resultado que permitisse fazer maiorias com qualquer um dos partidos e tendo mais que PSD e CDS juntos;
2. os que queriam ganhar reflectindo os resultados das sondagens que saíram uma semana antes das eleições e que dava empate técnico. Para estes qualquer resultado que fosse a vitória sobre o PSD era objectivo cumprido.

Logicamente que para os primeiros a vitória tem sabor amargo, enquanto que para os segundos o resultado foi confortável e satisfatório. Fico-me pelo desejo que tinha de que PS fosse superior à direita uma vez que isso sim penso ser um resultado plenamente positivo.

A grande vitória da noite é dos dois extremos do campo eleitoral parlamentar: CDS e BE. Ambos triunfaram e se é verdade que o pódio foi para Paulo Portas, não deixa de ser verdade que o BE consegue uma implantação nacional assinalável abrindo caminho em distritos até há pouco impensáveis. Em relação ao CDS fico-me por aqui pois já mostraram antes a veia de poder e a vontade de influenciar a decisão política.

O BE tem um resultado que o coloca com uma “dor de crescimento”. Por um lado, manter-se fiel aos seus princípios que são em alguns casos irrealizáveis e cujo entendimento com o PS é impossível. Por outro lado, a ânsia que uma franja larga do eleitorado que votou BE em descontentamento do PS tem que o BE seja decisivo para a implementação das políticas governativas. Perder os primeiros ou os segundos em futuras eleições és a questão. Até porque a capacidade negocial do BE diminuiu grandemente pelo facto de juntos PS e BE não formarem maioria absoluta. Dessa forma fica mais apelativo o apelo à direita que à esquerda…

A CDU (ou o PCP azul) manteve-se à tona da água mas sai como um partido que nem ganha nem perde. Embora tenham relativizado a sua prestação eleitoral é óbvio que a sua menor expressão parlamentar quando comparado com BE e CDS não pode deixar contentes os seus dirigentes. Mais que isso, mostrou que não é capaz de tirar votos ao PS o que é a constatação óbvia de que a flutuação de votos à esquerda se faz entre PS e BE, sendo a CDU uma força com eleitorado fixo e fiel.

O PSD perdeu estrondosamente as eleições. Mais que isso perdeu uma forma acabada, velha e conservadora de fazer política. O crescimento do PSD na pré-campanha foi alicerçado na capacidade de criticar as políticas do Governo de forma cerrada e assertiva. Daí um crescimento sustentado que perigou a maioria socialista. Contudo, os debates foram o início do fim. Com imensos telhados de vidro, Manuela Ferreira Leite mostrou uma total incapacidade de criar empatias com os eleitores e de conseguir transmitir uma mensagem.

Depois na campanha os portugueses pediam mais do que a crítica e o ataque pessoal. Pediam alternativas e essas não apareceram. Além da diferença clara no que diz respeito ao investimento público mais não houve do que uma atabalhoada sucessão de críticas mais ou menos explícitas ao carácter e bom nome do Primeiro-Ministro. Mais que isso o uso do termo verdade é de uma soberba incrível que foi duramente criticada pelos portugueses nos distritos com poder per capita mais baixo e onde a crise ataca mais forte – Braga,Porto,Viseu, etc.

A mudança no PSD é desejável no mais curto espaço de tempo possível. E é desejável porque a alternância de poder e a verdadeira oposição são essenciais no estado de direito. Não pode haver um partido a querer governar e todos os outros a apenas tentar roubar a maioria absoluta a esse partido. Exige-se do PSD que após 11 de Outubro seja capaz de parar e reflectir internamente para uma solução que lhe dê:

1. Conteúdo ideológico;

2. Visão para Portugal e para a Europa;

3. Estratégia de Futuro alicerçada em quadros novos e dinâmicos.

A política actual muito decidida em Bruxelas e com fortes apertos económicos permite poucas distinções entre partidos no poder. Em nome disso, PS e PSD tem-se vindo a aproximar sendo que o primeiro tem um legado histórico em matérias sociais que lhe confere uma vantagem no combate ideológico e na própria sociedade portuguesa. A deriva centrista do PSD é uma causa do seu menor resultado eleitoral.

Finalmente, uma palavra para os pequenos partidos. A sua derrota foi total à excepção do MRPP. E foi total porque contaram com votos de protesto nas Europeias de pessoas que no momento da decisão governativa apostam em dar o seu voto a quem entendem estar melhor preparado para governar. A tentação do voto útil somada a falta de ideologia de um novo partido e à sua menor organização interna faz com que os resultados obtidos sejam esperados e, mais que isso, normais.

Resta agora reflectir sobre a governabilidade de Portugal e depois sobre as autárquicas onde a vitória do PSD será certa. Resta a dúvida de Lisboa e mais algumas cidades de média dimensão para aferir da vitória do PSD. Contudo, não será o bastante para a manutenção de Manuela Ferreira Leite.

Última palavra para todos aqueles que participaram nas campanhas partidárias. São estas pessoas que fazem andar a democracia e por isso mesmo para todas elas um obrigado por fazerem o que muitas não fazem, por se sacrificarem por um ideal e por uma ideia de sociedade. Tornam nobre a política e sem política a democracia é inexistente…

P.S. - espero que a distância não afecte a leitura da realidade!!! Abraço a todos